CRATEUS/TAUA: Mãe e filha recebem alta juntas após 13 dias de internação por Covid-19 ~ Portal do Helvécio Martins

sexta-feira, 19 de junho de 2020

CRATEUS/TAUA: Mãe e filha recebem alta juntas após 13 dias de internação por Covid-19

A filha, que tem Síndrome de Down, e a mãe, idosa com histórico de pressão alta, são do grupo de risco da doença. Família se recupera em casa.


Quase duas semanas após darem entrada no hospital por infecção de Covid-19, a doméstica Antônia Palhares Calvacante, 62, e a filha Sandra Regia Palhares Cavalcante, 38, receberam alta nesta terça-feira (16), no Hospital São Lucas, no município de Crateús. As duas são do grupo de risco da doença — Sandra tem Síndrome de Down; e Antônia, idosa, tem histórico de pressão alta e se recupera de uma cirurgia para reduzir problemas de circulação.

“Foi um alívio receber elas em casa depois de tanto tempo”, relata o empresário Alessandro Cavalcante, 41, filho de Antônia. Ele, que reside em Tauá, a 137 km de Cratéus, acompanhava o estado da família à distância desde o início do isolamento social. Mas, em abril, o aposentado Manuel Alves Cavalcante, 78, pai do empresário, manifestou sintomas respiratórios e foi internado. Manuel faleceu por complicações causadas pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) no início deste mês. 
Na casa em que Antônia e Manuel moravam, além da filha Sandra, residiam um irmão e um sobrinho de Alessandro. Por isso, além da preocupação com mãe e irmã, o empresário temia ainda que o irmão, diabético, também contraísse o novo coronavírus. “Estavam todos em isolamento. Minha mãe e irmã não saíam de casa fazia mais de dois meses. A gente suspeita que tenha entrado com o meu sobrinho, que trabalhava no Exército. Ele deu positivo para Covid-19 e foi assintomático”, conta.
Cuidados
Mais perto da família, o empresário visitou a residência da mãe com frequência, levando alimentação e medicamento prescrito por um médico para tratar o avanço da doença. Em cada ida, todas as precauções de saúde. “Ia sempre de máscara e nunca entrava em contato com elas diretamente. Meu sobrinho, que mora com eles e já tinha desenvolvido a doença, era quem fazia esse contato, ele ficava na linha de frente dos cuidados. Quando foi preciso levar elas para o hospital, fomos em carros separados para evitar contaminação”, aponta Alessandro. 
Antônia e Sandra deram entrada no Hospital São Lucas na tarde do dia 3 de junho, após oito dias de avanço dos sintomas. A filha já chegou para atendimento com falta de ar. “Nós fizemos o exame da minha irmã para saber como estava a situação dela. O pulmão estava 55% afetado”, conta o empresário. 
O cuidado da equipe com mãe e irmã foram o diferencial para a melhora. “Eu conversei com o médico. Pedi para minha mãe e a Sandra ficassem juntas na mesma enfermaria. Se elas fossem separadas, minha mãe ficaria preocupada e a Sandra também. A equipe atendeu muito bem o meu pedido, foram muito solícitos”, agradece. 
Durante a internação, o acompanhamento das duas foi feito por telefone, diretamente para o número de Alessandro. Era ele a ponte de informações entre a unidade de saúde e o restante da família, que aguardava a melhora de mãe e filha. “Eles me ligavam sempre, todo o dia, para dar as atualizações. Eu fiquei de receber e passar para todo mundo, para evitar que eles ficassem se deslocando”, recorda.   
Celebrar
A preocupação deu lugar à tranquilidade com a liberação da família. “Eu corri o risco de perder os três no mesmo período. Minha família era seis pessoas, vão ficar só três agora?”, conta Alessandro, emocionado.
Após a alta, mãe e filha se recuperam em casa e estão estáveis. Mesmo que já tenham desenvolvido a doença, por recomendação médica elas permanecem em isolamento doméstico pelos próximos 30 dias. “Elas estão muito cansadas e com a imunidade muito baixa, aí o médico pediu para evitar que gente venham aqui visitar”, explica Alessandro. 
Agora, a família prepara a festa de aniversário das duas, que completam um novo ano de vida nos próximos dias. “Eu passei nove dias de tempestade. Agora que tudo passou, é bola para frente. Minha mãe ainda está meio afetada por causa do luto do meu pai mas a gente conversou e vimos que ele iria querer festa. A gente tem que celebrar a vida. Se deus deu a oportunidade de retornar, por que não celebrar?”, conta. 
Para cuidar da documentação relativa à morte do pai e acompanhar a saúde de mãe e irmã, Alessandro se mudou provisoriamente para perto da família, já que Manuel dividia a casa com Sandra e Antônia, ambas no grupo de risco para a doença. “Foi tudo muito rápido. Em um dia eu estava enterrando o meu pai, e no outro estava dando entrada na internação da minha mãe e da minha irmã”, relembra. 

DN

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