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terça-feira, 24 de outubro de 2017

MOEDA DE TROCA: Temer promove mudanças de cargos na CONAB

O presidente Michel Temer determinou a troca de vários superintendentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nos Estados, para agradar aliados antes da votação da segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) pela Câmara dos Deputados. Esse expediente já tinha sido usado em agosto, quando o plenário da Câmara arquivou a primeira denúncia contra Temer. 


Os dirigentes que serão substituídos foram indicados por parlamentares considerados infiéis pelo Palácio do Planalto. As mudanças atendem a pedidos de vários partidos da base aliada, mas principalmente do PTB - que exerce influência politica há vários anos sobre a Conab -, PMDB e PP. Nos próximos dias, serão substituídos superintendentes em Goiás - Estado do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes -, Rio Grande do Sul, Amazonas e Sergipe. Mas a tendência, disse uma fonte do governo, é que as novas nomeações ocorram após a votação da denúncia pelos deputados, já marcada para a próxima quarta-feira, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

A ideia é fiscalizar o grau de lealdade dos aliados. Às vésperas da votação da primeira denúncia, a qual a Câmara arquivou em agosto, foram trocados os superintendentes da Paraíba e de Alagoas. Na Paraíba, o antigo superintendente se antecipou ao corte e pediu demissão. Já no caso alagoano, a mudança gerou a insatisfação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que por anos indicou apadrinhados no Estado, mas passara a adotar um tom crítico em relação ao governo. Por lei, todos os cargos de superintendente precisam ser ocupados por servidores do quadro da Conab, mas sempre são apadrinhados por políticos aliados do governo. 

Frequentemente, a Conab é alvo de críticas do setor do agronegócio de que seria "aparelhada politicamente", tendo acomodado nos últimos anos indicados políticos de diversas siglas. Nos últimos anos, vários diretores e todos os últimos presidentes da autarquia foram indicados pelo PTB, como é o caso do atual presidente, o servidor de carreira do órgão, Francisco Bezerra, e dos diretores de Abastecimento, e de Administração, Finanças e Fiscalização. As outras duas diretorias, de Política Agrícola e Informações, e de Gestão de Pessoas, são de indicação do PMDB. Na gestão de Kátia Abreu no Ministério da Agricultura, ao qual é vinculada a Conab, houve uma tentativa de aprovar um novo estatuto para autarquia, que obrigasse um mandato de três anos para o presidente e toda a diretoria da empresa. 

No entanto, a ideia nunca avançou. Por outro lado, esses partidos da base aliada que reivindicam cargos nas diretorias ou nos braços regionais da Conab ficaram longe de ser enquadrados como "traidores" na votação da primeira denúncia da PGR contra Temer. Naquela sessão, em que a denúncia contra Temer foi rejeitada por 263 votos a 227, apenas dois deputados do PTB, seis do PMDB e sete do PP votaram para aceitar a denúncia, enquanto a maioria de suas bancadas seguiram a favor do presidente.

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