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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Forças de Segurança desmontam esquema de fraude no concurso para agente penitenciário do Ceará



OS PRESOS: José Mario Pereira dos Santos Filho (32), de Natal (RN), guarda municipal da cidade de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza; Victor Moreira Lima Cabó (29), de Fortaleza; Luis Junior da Silva Neto (23), de Cabrobó/PE; Arnaldo Ricardo Ferreira Mariano (30), e Diarone James Coelho Dantas Leopoldo (35), ambos de Petrolina/PE; Leonardo Henrique Lopes Silva (26), de Paulo Afonso/Bahia; Alberto Pereira de Melo (42), de Custódia/PE; José Victor Teixeira de Siqueira (22) de Custódia/PE; Célio Alves Magno de Alencar, de Belém de São Francisco/PE; Monaliza Bezerra Veras (34), de Catolé do Rocha/Paraíba; George Menezes dos Santos (29), de José do Bel Monte/PE; Bruno de Paula Borges (22), de Fortaleza; Rodrigo Costa Manhã de Oliveira (26), de Osasco/São Paulo; Izael Pereira de Oliveira (40) Crateús, onde era guarda municipal; Raphael Alencar da Costa (25) Recife/PE; e José Aldevan dias Lima (36), de Fortaleza. Os trabalhos policiais prosseguem visando a captura de outros envolvidos.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), por meio da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e com o apoio de outros órgãos da esfera estadual, desarticulou um esquema de fraude do concurso para agente penitenciário do Ceará, realizado nesse domingo (1º de outubro). Ao todo, 22 pessoas foram presas e, com elas, apreendidos diversos equipamentos de transmissão sonora, como pontos eletrônicos, além de anotações referentes ao negócio ilícito, uma arma de fogo e munições. A operação, intitulada “Boa Fé”, foi desenvolvida de forma integrada entre a SSPDS, Coordenadoria de Inteligência da pasta, Polícia Civil, Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Estado do Ceará (CGD) e o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

As investigações da operação Boa Fé foram iniciadas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) há cerca de um mês. De acordo com o delegado Harley Filho, titular da unidade especializada, os levantamentos foram originados sobre um núcleo criminoso atuante na fraude de concursos municipais e estaduais realizados no Ceará. “Inclusive eles já se articulavam para atuar no concurso do Detran”, detalha Harley. Mas os levantamentos policiais se expandiram e os agentes de segurança ainda descobriram a investida de um segundo grupo, com pessoas de outros estados concorrendo às vagas dos certames feitos em território cearense.



Por meio da Operação Boa Fé, deflagrada durante a realização do concurso para agente penitenciário do Ceará, os agentes de segurança frustraram o plano de trapaça de 19 candidatos e prenderam três homens apontados como gerenciadores de um dos grupos, tendo como chefe deles o policial militar cearense Glaudemir Ribeiro do Nascimento (35), lotado no 1ª Companhia do 5º Batalhão da PM (1ª Cia do 5º BPM), no Centro, que atualmente estava de licença. Ele era o responsável por cooptar candidatos interessados na farsa. Mas o homem não atuava sozinho. Outro militar do Ceará, Albanir Almeida Vasconcelos (32), da 3ª Cia do 5º BPM, no Pirambu, era comparsa de Glaudemir e também arregimentava pessoas para o esquema. Eles chamavam conhecidos que fariam o concurso para participar da trama. A terceira pessoa que auxiliava no gerenciamento do negócio criminoso é o guarda municipal de Fortaleza Aurélio Moraes da Silva (35), que também selecionava os integrantes da farsa e atuava no repasse das respostas. 


Como funcionava

O esquema consistia no repasse de respostas via pontos eletrônicos, a partir de Glaudemir. Ele fez a prova do concurso deste domingo e sua função era repassar as respostas via mensagens para Aurélio e outros envolvidos. Essas pessoas (de confiança dos candidatos), então, ligavam para o ponto eletrônico dos concorrentes do concurso e falavam as respostas das questões. Tudo isso era feito na última hora do prazo da prova. De acordo com Harley Filho, Glaudemir se dedicava aos estudos para acertar as questões e informar quais eram as opções corretas. Ele foi o responsável pela aquisição dos equipamentos sonoros e também seria a pessoa que mais lucraria com o crime. “Quando a pessoa assumisse a vaga, teria que pagar a quantia equivalente a dez vezes o seu salário”, explica o delegado. Além disso, uma determinada quantia era antecipada a ele antes do certame.

Diversos pontos eletrônicos foram encontrados nos candidatos presos. Com o tamanho comparado à cabeça de um palito de fósforo, o objeto teve que ser retirado do ouvido dos presos em uma unidade de saúde. Para combinar a investida criminosa, os suspeitos marcavam “rachas” (gíria para uma partida de futebol), em um campo de futebol. O nome era utilizado como código, para que eles se reunissem no local e realizassem testes com os aparelhos e tratassem de instruções referentes ao dia da prova. 

“Com essas prisões, nós conseguimos evitar que pessoas mal intencionadas assumissem um cargo tão importante”, declara Harley Filho. Os candidatos presos por participarem do plano arquitetado por Glaudemir são: Genilson Ribeiro Guedes (35), José Francisco Veras Barroso (37) e Francisco das Chagas Aguiar Junior (28). Todos foram capturados em locais de prova. Durante vistorias nas instituições, os policiais também encontraram aparelhos celulares em locais como caixa de aparelho sanitário e embaixo de um cesto de lixo, em cabines de banheiro. Na casa de Aurélio, no Jacareganga, a Polícia apreendeu uma pistola e munições. Albanir foi interceptado em uma residência no bairro Goiabeiras e, Glaudemir, na saída do seu local de prova. Em sua casa os agentes também encontraram anotações sobre o esquema e diversos materiais de estudo, os quais ele utilizava para se dedicar na aprendizagem a fim de conseguir vantagem indevida.

“Glaudemir era a pessoa que recolhia o dinheiro dos candidatos. Ele era o piloto e foi efetivamente fazer a prova e repassou o gabarito depois para os passadores”, disse o secretário André Costa. O titular da SSPDS destacou que os agentes públicos, sendo os dois PMs e um guarda municipal permanecem presos, enquanto alguns dos detidos foram soltos após o pagamento de fiança. “Aqueles que conseguiram pagar a fiança foram soltos e responderão ao processo em liberdade, mas alguns, especialmente os agentes públicos, permanecem presos”, disse.

André Costa falou ainda da importância do trabalho integrado entre os órgãos, que resultou nas prisões deste domingo. “Destaco o trabalho entre as inteligências do Estado. Nós tivemos a participação da Coin, da Secretaria da Segurança Pública. Tivemos também apoiando a Draco, a inteligência da Sejus, a inteligência da Controladoria de Disciplina e também o Gaeco do MPCE. A atuação desses quatro órgãos permitiu o sucesso dessa operação, com a identificação e a prisão dessas 22 pessoas”, finalizou.

Durante os levantamentos policiais, outros 16 concorrentes do concurso foram presos pela fraude. Alguns deles são cearenses e o restante oriundo de outros estados. Todos chefiados por outros criminosos responsáveis por um segundo esquema de fraude. Os presos são: José Mario Pereira dos Santos Filho (32), de Natal (RN), guarda municipal da cidade de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza; Victor Moreira Lima Cabó (29), de Fortaleza; Luis Junior da Silva Neto (23), de Cabrobó/PE; Arnaldo Ricardo Ferreira Mariano (30), e Diarone James Coelho Dantas Leopoldo (35), ambos de Petrolina/PE; Leonardo Henrique Lopes Silva (26), de Paulo Afonso/Bahia; Alberto Pereira de Melo (42), de Custódia/PE; José Victor Teixeira de Siqueira (22) de Custódia/PE; Célio Alves Magno de Alencar, de Belém de São Francisco/PE; Monaliza Bezerra Veras (34), de Catolé do Rocha/Paraíba; George Menezes dos Santos (29), de José do Bel Monte/PE; Bruno de Paula Borges (22), de Fortaleza; Rodrigo Costa Manhã de Oliveira (26), de Osasco/São Paulo; Izael Pereira de Oliveira (40) Crateús, onde era guarda municipal; Raphael Alencar da Costa (25) Recife/PE; e José Aldevan dias Lima (36), de Fortaleza. Os trabalhos policiais prosseguem visando a captura de outros envolvidos.

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