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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

RENATO RUSSO O GRANDE: A 20 anos a MPB perdia um dos seus maiores artistas

Renato Manfredini Júnior (1960 ­ 1996) trabalhou até o momento que lhe restavam forças. Nos últimos registros em estúdio, a voz sem a mesma força teimava em dar vida a uma coleção de músicas doídas, cruas, possivelmente menos outonais que composições anteriores. É tal intensidade, forjada através desse espírito indômito, que a imagem do artista se edificou. Mesmo sem a presença física, Renato Russo ainda ecoa muito alto. 

Os anos à frente da Legião Urbana deram a este realizador a indissociável sombra de "poeta de toda uma geração". A imagem do homem barbudo, camisa branca, flores na mão e óculos de aros grossos serviram para evidenciar o furor messiânico pelo qual, infelizmente ainda é reconhecido. O Russo metido a punk (ao seu modo, é claro), advindo de uma recém­criada Capital Federal é muitas vezes eclipsado. 

Sob as ruínas de um País imerso na abjeta Ditadura Militar surgia um moleque franzino, fã das novidades musicais da Inglaterra e com uma disposição única para incomodar. Dividindo entre as funções de professor de inglês e ter uma banda de rock, "Júnior", como era carinhosamente chamado pela família, encontrou na companhia de Dado Villa­Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha (1961­2015) a força necessária para sua aventura mais longeva: a Legião Urbana. 

Foram oito álbuns de estúdio, cinco discos ao vivo, outros lançados postumamente e diversos contos. Gravou ainda três discos solo e protagonizou parcerias com Herbert Vianna, Adriana Calcanhoto, Paulo Ricardo, Erasmo Carlos, Leila Pinheiro, Biquini Cavadão, 14 Bis e Plebe Rude.

Homenagens

Nessas duas décadas sem a presença do líder, a banda reduziu­se a reuniões especiais (algumas vexatórias como foi o caso de 2012, onde o ator Wagner Moura assumiu os vocais), picuinhas judiciais entre Dado/Bonfá e o filho de Renato, Giuliano Manfredini, a polêmica vida de mendicância e abandono do baixista Renato Rocha e relançamentos de discos oficiais. 

Para os fãs, o último deleite oficial envolvendo a obra da Legião é uma turnê nacional intitulada "Legião Urbana XXX anos". A iniciativa reúne novos nomes da música brasileira como o cearense Jonnata Doll a um show com canções do primeiro disco na íntegra e a segunda parte, de sucessos da carreira do grupo. 

As homenagens envolvendo mais especificamente os 20 anos de morte de Renato também englobam o mercado editorial. A mais recente a chegar às livrarias é o livro "The 42nd St. Band ­ Romance de Uma Banda Imaginária", que reúne cadernos e folhas soltas escritas em inglês pelo então garoto de 15 anos, Renato Manfredini. Uma curiosidade em torno da publicação é o fato do sobrenome adotado. O nome "Russo" adveio do líder da banda imaginária, o personagem Eric Russel, que chegou a dividir palco com o ex­guitarrista dos Rolling Stones, Mick Taylor. Outra iniciativa é o lançamento de uma edição revista e ampliada da biografia "Renato Russo ­ O Filho da Revolução", de Carlos Marcelo. 

Outro trabalho (com previsão para julho de 2017) envolve exposição inédita dedicada ao cantor no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS). O acervo reúne relíquias guardadas no apartamento de Renato Russo, além de fotografias, documentos e mais de 50 diários manuscritos que nunca foram exibidos ao público. 

Idealizado pela Legião Urbana Produções Artísticas, empresa que trata da curadoria de toda a obra do artista, o álbum "Viva Renato Russo 20 Anos" está disponível site de streaming Spotify e traz composições do artista na voz de 12 bandas de várias regiões do Brasil. A lista inclui "Por Enquanto" (Plutão Já Foi Planeta), "Geração Coca­Cola" ( Selvagens À Procura De Lei), entre outros. 

Para os fãs cearenses, a data alusiva aos 20 anos de morte de Renato será celebrada, às 19h, no Anfiteatro do Centro Cultural Dragão do Mar (CDMAC). O show "Renato, 20 Anos & Legiões", da banda Coda. A abertura da noite fica por conta do grupo Verminosos Rock Band, que executa, na íntegra, o álbum "Cabeça Dinossauro", dos Titãs, outro clássico dos anos 1980. 

A chama em torno de Renato Russo, sua obra e a forma como encarava o mundo se faz presente e firme. Guia um séquito de admiradores que mesmo abastecidos com revisitações de nível bem abaixo da produção da Legião Urbana, como foi o caso do sofrível filme "Somos tão Jovens", de 2013.

Querer acrescentar qualquer ideia de meiguice ou idealização de "bom moço" ao universo de Renato Russo é um erro recorrente e desnecessário. Renato amou, odiou, caiu, criou coisas belas e ao mesmo tempo estúpidas também. Sorriu e engoliu lágrimas com a mesma velocidade com que criava versos. Selvagem e contestador, era guiado por uma paixão guardada à sete chaves no peito. Homenagens sempre serão bem vindas. Os fãs querem e as terão. Essa devoção em torno de Manfredini Júnior faz dele um animal indecifrável. Um artista bem à frente da maioria de farsantes que foram responsáveis pela geração "Rock 80" brasileira. Livro The 42nd St. Band Renato Russo Companhia das letras 2016, 216 páginas R$ 34,90 Mais informações: Show "Renato, 20 Anos & Legiões", com as bandas Coda e Verminosos Rock Band, às 19h, no Anfiteatro do CDMAC ( Rua Dragão do Mar, 81 ­ Praia de Iracema). Ingressos: R$ 30,00 (inteira). Contato (85) 3488­8600

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