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quarta-feira, 6 de julho de 2016

CRATEÚS 184 ANOS: Terra do Senhor do Bonfim, do Rio Poti, de Dom Fragoso, da Coluna Prestes, de Rosa Morais e Delalmeida. Povo bom e hospitaleiro

FELIZ NATALÍCIO, CRATEÚS! 184 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

Hoje, 06 de julho, é dia de unirmos as palmas das mãos em sinal de aprovação à musa de muitos poetas, à princesa de uma coletividade, à dama do ventre colossal, à argila de sonho através da qual tivemos o primeiro contato com o sol incomparável: Crateús! 


Hoje é o dia do aplauso comunitário, do elogio público, do louvor uníssono, da congregação constelada. É o dia do aniversário do Município que foi abençoado pela generosidade da natureza. Amanhece reverenciando uma cadeia montanhosa de terra fendida, a Serra da Ibiapaba, como que a crismar simultaneamente a magnitude divina e a gratuidade do universo, que nos brindou com um bioma singular. 

Hoje é o dia do leve extravasamento, do excesso cauteloso, do transbordamento calculado, da empolgação aprumada, da alegria serena. É o dia do natalício. 

O doutor Leonardo Wandenberg, meu colega na magia do múnus comum, outro dia suscitou a seguinte reflexão: “Alguém já reparou que, no nosso aniversário, geralmente nos sentimos mais dispostos e confiantes? Mas como, se, na verdade, estamos ficando cada vez mais próximos do fim do caminho?! Minha tese é a seguinte. É uma data em que recebemos uma transmissão energética muito grande das pessoas que nos rodeiam e que nos amam, uma carga positiva proveniente dos votos de paz, saúde e felicidade, bem como das bênçãos de Deus. É um momento em que também reabastecemos nossos sonhos, e renovamos nossas perspectivas e esperanças como quem troca o óleo do motor. Tudo isso de uma só vez! Portanto, tornamo-nos novamente condutores de uma energia transbordante, como um açude que 'sangra' por já ter estoque suficiente para matar a sede por mais uma temporada. Por isso que nos sentimos mais vigorosos. É como um renascimento, como voltar a ser criança. O aniversário não é um dia especial porque somos especiais, mas por termos o privilégio de sermos irrigados com mais vida, compensando os anos que se acumularam.”

Hoje é o dia, em especial, da visita ao poço dos desejos, à ‘fontana de trevi’ das aspirações mais profundas. Por isso, ouso repartir três pedaços do bolo de sonhos que sempre, nesta data, preparo para a terra que me tocou com o espasmo da existência. 

O primeiro pedaço de sonho é mineral e de origem hídrica. Volta-se para a nossa artéria vital, registrada em uma indígena pia batismal com o nome de Poty. É o nosso rio principal. Sonho vê-lo rejuvenescido, com as feridas abertas pelo açoite humano saudavelmente cicatrizadas. Almejo reencontrar sua mata ciliar recuperada. Almejo, um dia, ver o seu leito urbano totalmente despoluído e sendo objeto de concorridos passeios familiares. 

O segundo sonho é ambiental. Aspiro ver todos os meus conterrâneos com a compreensão de que nós, seres humanos, não somos o centro do mundo, mas apenas parte dele. O mundo é de todos os seres, inclusive daqueles que equivocadamente imaginamos inanimados. Aspiro ver todos os meus conterrâneos respeitando as árvores, as pedras, as aves, as areias, os peixes, as águas... Enfim, todos os integrantes da natureza. Aspiro ver todos os meus conterrâneos em um mutirão para que a cidade fique indistintamente coberta por uma verde cabeleira de árvores, contribuindo para reduzir as altas taxas de temperatura. (No coração de Lisboa, em Portugal, há uma estufa fria, um viveiro que alberga espécies de plantas oriundas de várias partes do mundo. Poderíamos ter vários...). Aspiro ver todos os meus conterrâneos irmanados em um só movimento para que a área geográfica do Quadragésimo Batalhão de Infantaria, o 40º BI, se transforme no maior Parque Urbano do interland cearense, constituindo-se em uma Reserva Natural de preservação da nossa flora e da nossa fauna, objeto de piqueniques e confraternizações diversas...

O terceiro é social. Trata-se da celebração de um novo contrato entre os que representam e os que são representados, governantes e governados, cuja cláusula primeira estabeleça o acendimento da tocha olímpica da verdade. Que os negócios públicos sejam tratados não nas alcovas, mas nos pátios. Que as decisões sejam tomadas sob o burburinho do dia e não à calada da noite. Que as autoridades se disponham a serem não postes apagados, mas fachos de luz. Que cada cidadão veja a política não como uma simples campanha, mas como uma verdadeira campana. Que todos contribuam para uma cidade 3D – divertida, democrática e digna. Que os eleitos vejam o mandato não como um momento para o exercício da selvageria da destruição, mas para a edificante tarefa da construção. Que a cidade seja vista não como uma selva de pedra, mas como o terreno fértil para o cultivo de um jardim. Que a passagem temporária pelo poder seja encarada não como um negócio, mas como um sacerdócio. Que os eleitos se disponham a dispensar o poder para que ele se transforme em uma fonte de coletivo prazer!

Feliz Natalício, Crateús!

(Júnior Bonfim, naturalmente de Crateús)

Portal do Helvecio

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