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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Do fundo do poço ao sucesso: Saindo da inadimplente e se tornando um futuro investidor

                                            De inadimplente a possível investidor
Uma das mais recorrentes promessas de fim de ano, sair da inadimplência é tarefa difícil de ser cumprida, ainda mais considerando os gastos comuns de janeiro como material escolar, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Combinando estes custos ao fruto da empolgação nas compras de fim de ano, o resultado geralmente é começo de ano com o bolso no vermelho. No entanto, é possível sair da inadimplência e até se tornar um investidor com mudança de hábitos e reeducação financeira. Como para muitos o ano só começa após o Carnaval, ainda é tempo de cumprir as promessas de ano-novo, sair da inadimplência, economizar e investir.

Segundo a Pesquisa Mensal sobre Endividamento de janeiro, divulgada pela Federação do Comércio do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), 72,1% dos consumidores da Capital cearense possuem algum tipo de dívida. Para ficar fora dessa estatística, o pesquisador da área de finanças pessoais e comportamentais da Universidade Federal do Ceará (UFC), Érico Veras Marques, explica que o primeiro passo a ser dado é saber o tamanho total das dívidas.
De acordo com ele, é importante listar, de um lado, a dívida em valores totais, mensais e por quanto tempo. "Depois de elencar as dívidas, é a vez das despesas. Uma forma simples de organizá-las é classificando-as em obrigatórias fixas, obrigatórias variáveis, despesas não obrigatórias fixas e despesas não obrigatórias variáveis", explica.

Aluguel e mensalidade escolar estão dentro do grupo das despesas obrigatórias fixas. Já as contas de luz, água e telefone se encaixam nas obrigatórias variáveis. "A obrigatória variável vem todo mês, mas em um valor que nem sempre é o mesmo", detalha Érico. Entre as despesas não obrigatórias fixas, estão os planos de assinaturas, por exemplo. As não obrigatórias variáveis são os gastos com cinema, restaurante e outras atividades de lazer, segundo o pesquisador.
Este seria uma espécie de mapa do dinheiro, para Érico. Ele explica que, feito isso, é preciso anotar as receitas e perceber as diferenças. "Se você está inadimplente, suas despesas são superiores às receitas. É importante reparar o quanto as despesas são superiores. Um passo é renegociar a dívida", diz.

Reeducação financeira

Para o pesquisador, depois de renegociar as dívidas, é preciso tomar algumas medidas e ter determinação para não desistir no meio do árduo caminho até a adimplência permanente. "O inadimplente deve entender a história da dívida. A dívida por descontrole é a mais perigosa, porque sem determinação, ela pode facilmente ser retomada", acredita Érico.
Ele ressalta também a importância em começar a fazer uma reserva. "O perfil de quem é endividado não bate com o perfil de quem organiza uma reserva financeira. Quando essa pessoa consegue se organizar, aí é que se começa a construir uma reserva. A regra para o equilíbrio é: eu guardo, o que sobra, eu gasto; e não gasto, o que sobra, eu guardo, como muitas pessoas fazem", afirma. Érico indica ainda que, antes de realizar uma compra, o consumidor pergunte a si mesmo se pode e se precisa da aquisição. "Para que a compra seja feita, as duas respostas devem ser positivas", completa.

Crédito

Segundo o especialista em finanças Rafael Seabra, é fundamental a interrupção do uso do cartão de crédito durante o processo de saída da inadimplência, para evitar a aquisição de novas dívidas desnecessárias.
Ele aconselha que os gastos dos próximos 30 dias sejam anotados para serem, em seguida, enxugados, ficando de fora o que for mais supérfluo.
Mudança de hábitos
Rafael explica que a mudança de hábitos é a parte mais importante - e mais difícil - para passar de inadimplente a investidor. Para ele, não só é possível como é uma grande conquista deixar de pagar juros e passar a recebê-los. Do ponto de vista financeiro, o mais recomendado pelo especialista é zerar o endividamento antes de investir, isso porque, geralmente, a taxa de juros da dívida é maior que a taxa de rentabilidade do investimento.
"No entanto, se as parcelas estiverem em dia, é possível aplicar parte do que se ganha, mesmo que o valor seja bem pequeno, para adquirir o hábito de poupar e investir", afirma.
Melhores alternativas
O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Ceará (IBEF-CE), Ênio Arêa Leão, alerta que o momento é de muita incerteza e, por esse motivo, é preciso muito cuidado ao arriscar. "Até mesmo os investidores mais experientes devem ter muita cautela", orienta. Para ele, a renda fixa é uma boa opção de investimento, devido aos juros altos.
Para os que nunca investiram na vida, Rafael Seabra lembra que adquirir conhecimento é fundamental e concorda que os investimentos de renda fixa - exceto a poupança - são a melhor alternativa diante de um cenário instável. De acordo com ele, títulos públicos, como o Tesouro Direto, oferecem baixo risco, já que protegem o capital da inflação, e têm boa rentabilidade. "É uma ótima escolha para quem está querendo começar a investir e para pequenos investidores. É seguramente a opção com melhor relação custo-benefício".
Rafael Seabra explica que, para investir em títulos públicos, é preciso fazer o cadastro em uma corretora, que pode ser a do seu próprio banco ou outras corretoras especializadas. O cadastro é feito pela internet e, segundo ele, em aproximadamente dois dias, o sistema confirma. Feito isso, o investidor transfere o dinheiro para que a corretora fique responsável por intermediar a negociação.
Para escolher uma boa corretora, o especialista explica que é importante atentar para as taxas, que podem ser cobradas ou não. "A taxa é um dos fatores na hora de decidir entre uma corretora e outra, já que, quanto mais baixa, a diferença pode ser grande na hora de obter o retorno".
Imóveis e Bolsa
Segundo Seabra, o momento não é o melhor para investir em imóveis, já que, seja para vender depois ou para alugar, o retorno pode demorar muito. "Os preços dos aluguéis não estão correspondendo nem a 1% do valor do imóvel. Então, eu não enxergo como uma boa alternativa", destaca o especialista.
Quando o assunto é investimento, logo vem à cabeça a bolsa de valores. No entanto, Rafael salienta que a modalidade requer ainda mais conhecimento, porque é preciso o acompanhamento do mercado. Ele destaca ainda que o cenário de juros altos também atrapalha a captação de dinheiro pelas empresas, o que torna a alternativa ainda mais perigosa. "Se você não conhece, vira uma 'casa de apostas', e não é isso. É preciso acompanhar e entender, mas o momento não está bom para a bolsa", orienta.
Negociar é uma opção
Para não extrapolar mais o orçamento e quitar as pendências, a vendedora Suze Alencar resolveu negociar as dívidas. Ela também optou por se desfazer de um dos cartões de crédito e já pretende abandonar o outro cartão para seguir priorizando as parcelas do carro e da casa. "A loja na qual eu estava devendo me procurou e propôs que eu desse uma entrada e parcelasse o resto com juros menores", conta.
Além de rever os gastos com compras, Suze agora anota os parcelamentos para ter controle das despesas, priorizando as que são obrigatórias fixas. "Eu não estou comprando quase nada. Quando terminar de pagar este cartão, vou negociar com o outro que está pendente, por partes, porque negociar e não cumprir, não adianta".
Comportamento
"O inadimplente deve entender a história da dívida. A dívida por descontrole é a mais perigosa"
Érico Veras Marques
Pesquisador da área de finanças pessoais

"Se as parcelas estiverem em dia, é possível aplicar parte do que se ganha para adquirir o hábito de poupar e investir"
Rafael Seabra
Especialista em finanças

DN/PortaldoHelvecio

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