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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Cadê os recursos? Estação Ecológica de Aiuaba está praticamente abandonada: Veja imagens



A Estação possui completa infraestrutura para receber pesquisadores. ela possui três casas funcionais, quatro alojamentos, cozinha, refeitório, auditório, escritórios, biblioteca e laboratório
Aiuaba. A falta de condições de funcionamento da Estação Ecológica de Aiuba, na região dos Inhamuns, vem se agravando nos últimos dois anos e a escassez de recursos para custeio poderá levar ao fechamento da unidade de Conservação (UC), que tem como objetivo preservar o bioma Caatinga, numa área superior a 11 mil hectares. Sem fiscalização, invasores fazem caça predatória, retiram madeira e afastam pesquisadores.

De acordo com técnico administrativo, Honório Miguel Arrais, responsável pela Estação, a situação é crítica. Há três anos, ele assumiu a direção da UC e, nesse período, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não repassou nenhum recurso. "Recebíamos uma cota mensal de R$ 500 para combustível dos carros de fiscalização, mas que foi reduzida para R$ 200.

Faltam recursos até mesmo para a compra de material de limpeza, de expediente e para lavar as roupas de cama e banho dos alojamentos que são usados por professores e alunos pesquisadores. "Essas despesas são custeadas pelo meu próprio bolso", diz Arrais. A unidade recebe constantemente pesquisadores de universidades do Brasil e do exterior que ocupam os alojamentos. Atualmente, há 25 pesquisas em curso.

A Estação possui boa infraestrutura, com três casas funcionais, quatro alojamentos, cozinha, refeitório, auditório, escritórios, biblioteca, laboratório, banheiros e garagem. Dispõe, ainda, de duas bases de apoio, nos sítios Gameleira e Cajueiro, mas que estão abandonadas. A falta de recursos, entretanto, tem impossibilitado o desenvolvimento das atividades.

O posto de apoio do Sítio Gameleira, distante 42Km da sede da instituição, foi desativado há dois anos e está sem vigilante. "A casa de base ficou abandonada, o que facilita a invasão de caçadores, que matam aves e outros animais, além de invasores que furtam madeira. A presença de vigilante inibia essas ações", observa o funcionário.

Os pesquisadores têm medo de realizar seus estudos na base abandonada da Gameleira, que fica na margem da Rodovia da Confiança, onde costumam ocorrer muitos assaltos. Eles têm medo de serem surpreendidos por caçadores e pelos que entram para roubar madeira. "As mulheres, principalmente, se sentem inseguras", explica.

"O que está ocorrendo com a Estação Ecológica de Aiuaba é um verdadeiro descaso", diz o ambientalista, Jorge de Moura, secretário do Pacto Ambiental dos Inhamuns e dos Sertões de Crateús. "A situação é revoltante e precisa ser denunciada para que as autoridades adotem providências", frisa.

A ambientalista Benilda Calixto considera a unidade como um dos maiores patrimônios ambientais do Nordeste. "Hoje está abandonada e a população local revoltada. É uma piada manter apenas dois agentes para fiscalizar uma área tão extensa", afirma. Ela defende a mobilização da sociedade para reivindicar uma ação concreta por parte do governo federal.

Nos próximos dias, está previsto um abraço simbólico da Estação em protesto contra a falta de recursos. Outra preocupação é com a aproximação do período de reprodução de avoantes. Sem fiscalização, a ação dos caçadores será facilitada. A Estação Ecológica de Aiuaba, única do Nordeste, foi instituída em 1978 e criada, por Decreto Federal, em 2001.

Honório Barbosa/Amaury Alencar
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