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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Boa notícia: Câmbio favorecerá retomada da economia do Ceará, diz BC




Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o dólar alto favorece a captação de turistas estrangeiros e nacionais 
Outro setor que deve contribuir para elevar o PIB do Ceará em 2016 é o da agricultura. A estimativa é de expansão das safras 
Após uma queda de 2,9% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central para o Ceará (IBC-CE) em 2015, a economia do Estado deve apresentar melhores resultados neste ano. Dentre os fatores que devem contribuir para a recuperação, está a desvalorização cambial, beneficiando tanto o setor do turismo como a indústria. Além disso, depois de quatro anos de retração, a expectativa é que a safra agrícola cearense apresente crescimento expressivo em 2016.
"Essa desvalorização recente do câmbio, observada no ano passado, tende a favorecer as exportações de calçados, que é o principal item da pauta de exportação do Estado, trazendo competitividade e, é claro, beneficiando toda a indústria local", disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, na apresentação do Boletim Regional do BC, realizada ontem. O BC, no entanto, não aponta projeções econômicas regionais em percentuais.
Para o economista Henrique Marinho, as exportações da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e da Siderúrgica América Latina (Silat) deverão começar a mostrar resultados positivos na balança comercial a partir do segundo semestre. "O volume de importação que eles estão fazendo de minério de ferro e de carvão mostra que a partir de junho nós começaremos a inverter essa curva, produzindo, exportando e mantendo o nível de emprego do Ceará", afirmou.
Turismo
Com relação ao setor do turismo, Maciel destacou que as atividades de serviços relacionadas ao setor têm peso importante para o Estado e que o dólar mais alto favorece tanto a captação de turistas estrangeiros como nacionais. "A vocação turística do Ceará tem se manifestado de maneira mais pronunciada nos últimos anos", disse, ao destacar que de dezembro de 2012 até dezembro de 2015, as atividades relacionadas ao turismo tiveram crescimento real de 25,1% no Estado; de 9,1% no Nordeste; e de 2,5% no Brasil.
Para Henrique Marinho, o aumento do fluxo de turistas e seu impacto no setor de serviços, principal componente do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará, deve amenizar os efeitos da retração do consumo e fazer com que a economia cearense se recupere mais rapidamente do que a nacional. "É claro que nós refletimos a crise no Brasil como um todo, mas eu vejo o Ceará bem na fotografia. Enquanto outros estados estão negociando atrasos na folha de pagamento, o Ceará negocia aumento".
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Safra
Depois de enfrentar quatro anos consecutivos de seca, que resultaram na diminuição da área plantada e na queda da produção, a estimativa é que a safra de grãos tenha um crescimento de 371,5% neste ano, contra uma retração de 57,8% registrada no ano passado. "A previsão é muito boa, com crescimento da produção de milho quase quintuplicando e a de feijão com alta de 256,1%", informou Maciel. "A previsão para outras lavouras também é de crescimento expressivo, mas claro que isso depende das chuvas". Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, a estiagem contribuiu para que a economia do Ceará tenha apresentado crescimento inferior ao da região Nordeste, onde o IBC apontou uma retração de 2,7% em 2015.
Operações
Com relação ao saldo nas operações de crédito, o Ceará apresentou, assim como em 2014, crescimento superior à média nacional, apesar do aumento das restrições. Segundo Maciel, a expansão de crédito no Estado se deve, sobretudo, às operações para empresas de energia do setor eólico. "Em termos de crédito para pessoa física, o Ceará apresentou o mesmo comportamento do País", destacou.
Brasil
Durante a apresentação do Boletim Regional, o diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, disse que as expectativas de crescimento do PIB mundial vêm sendo reduzidas em virtude do ambiente externo complexo, com aumento das incertezas e dos riscos associados. Lopes disse ainda que a piora na situação das economias desenvolvidas e aumento do risco de recessão nos EUA aumentam o pessimismo. "Há muito tempo, não vejo um início de ano tão conturbado do quadro internacional", disse.
Lopes afirmou que o consumo deve cair neste ano, mas não de maneira tão forte como em 2015, e citou que após seguidas quedas, os índices de confiança da indústria e do comércio apresentaram recuperação nos dois últimos meses, "mas ainda estão em um nível muito baixo". O diretor reforçou ainda que o ajuste fiscal é "determinante" para que o Brasil volte ao caminho do crescimento. E falou que a taxa Selic no atual patamar de 14,25% é suficiente para a convergência da inflação para o centro de meta de 4,5% em 2017.
Lopes reconheceu que as projeções no fim do ano passado para 2016 eram mais favoráveis do que as atuais. Ele citou também que a trajetória de desaceleração econômica da China tem provocado aumento da volatilidade e da aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais, afetando a precificação de ativos, em especial daqueles de economias emergentes exportadoras de commodities.

DN/PortaldoHelvecio

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