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sábado, 9 de janeiro de 2016

Cid volta a criticar Cunha, fala sobre saida do Ministério, Governo Camilo, Roberto Claudio, Eunicio e Luizianne

"Cínico" e "asqueroso" foram termos usados por Cid para se referir ao comportamento de Cunha na sessão do dia 18 de março de 2015
Após chamar o vice-presidente Michel Temer de “chefão do estilo achacador”, o presidente da Câmara Eduardo Cunha de “morto-vivo” e sugerir que a presidente Dilma deixe o PT e se omita da sucessão de 2018, o ex-ministro da Educação Cid Gomes revelou os bastidores de sua tumultuada fala no plenário da Câmara Federal, quando confrontou o líder da casa legislativa.
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Em entrevista à rádio Verdes Mares, veiculada na manhã deste sábado, Cid disse que Cunha “é um cínico e não encara você”, disse ao se referir à presença dele no plenário no dia 18 de março do ano passado, 77 dias após ter assumido o Ministério da Educação. “Cheguei na hora e me coloquei em frente à mesa diretora”, afirmou. “Ele chegou e eu fiquei encarando. Ele não cruzou os olhos uma vez comigo”, acrescentou.
“Lá pelas tantas ele pediu uma coisa que eu nunca vi. Mandou essas pessoas [apoiadores de Cid] serem retiradas. Nessa hora chamei atenção dele e ele não olhou uma vez no meu olho”, relatou. “É um tipo asqueroso, um estilo que remonta há 20 anos, quando participou do governo Collor e da [companhia] telefônica do Rio de Janeiro [Telerj]”.
A sessão com Cid Gomes foi convocada para que ele desse explicações sobre sua declaração dias antes numa reunião em Belém/PA de que haveria entre os deputados “300 ou 400 achacadores”. A fala dele transformou-se em um intenso bate-boca que culminou com o abandono do plenário pelo então ministro.
O PMDB ameaçou retaliar o governo retirando seu apoio no Congresso Nacional e Cid seguiu ao Palácio do Planalto, de onde já saiu como ex-ministro. “Eu não poderia submeter a [pasta da] Educação a esse problema. E para não criar constrangimentos, me demiti (sic)”, explicou na entrevista desta manhã. “Quando fiz isso, inviabilizou minha permanência lá, entreguei meu cargo, e fiquei com a consciência tranquila”, reforçou o ex-governador do Ceará.
Balanço do governo
Cid Gomes falou ainda de seus oito anos à frente do governo estadual. Segundo ele, o principal gargalo de sua gestão foi a segurança pública. “Foi o principal compromisso, o que definiu a eleição”, disse. “Quando as pessoas viram o compromisso honrado ficaram satisfeitas, mas a segurança é um tema mais complexo do que isso. Outros passos teriam que ser dados”, admitiu.
Contudo, Cid elencou as conquistas dos seus dois mandatos para a área. “O setor prisional tinha 200 agentes penitenciários. Hoje são 1300”, destacou. “O Ceará tinha delegacia em 43 municípios, implantamos mais 50. De cada três delegados, um foi recrutado quando estava no governo. De cada três policiais, dois foram [chamados] no meu governo”, completou.
Ele considera ainda que a eleição do atual govenador Camilo Santana foi, “de alguma forma”, uma avaliação da gestão anterior. “Ele foi aprovado em praticamente todo o Interior e reprovado em Fortaleza, Caucaia, Maracanaú. E creio que isso se deve à segurança”, disse.
“Tenho meus defeitos, minhas falhas, mas durmo tranquilo. Se errei não foi com má intenção, com dolo, com falta de espírito público”, destacou.
Na entrevista Cid falou ainda de seus antigos apoiadores e agora adversários: a ex-prefeita de Fortaleza e hoje deputada federal Luizianne Lins e o senador Eunício Oliveira. “Na política você precisa de aliados. Esses dois foram aliados políticos”, declarou.
“Na minha consciência, tenho certeza de que não fui desleal a nenhum deles. Luizianne me apoiou e isso foi decisivo na minha eleição, menos pela popularidade, mais pelo apoio do PT”, admitiu. “E ela foi a fiel da balança”, acrescentou.
Cid disse que retribuiu ao apoiá-la à reeleição. Depois disso, ele lançou a candidatura de Roberto Cláudio. “Até apoiaria o PT se não fosse o candidato dela”, lembrou. O motivo para romper com Luizianne seria “deviso ao desgaste” da gestão da petista.
Ele também explicou que com Eunício Oliveira a situação foi semelhante. “Nossa decisão era apoiar para o Senado. Ficamos de apoiá-lo na eleição seguinte. Ele cresceu os olhos, era um mandato de 8 anos, e quis forçar a barra para ser candidato a governador. Eu tinha um partido e aliados. Ele acabou se juntando à oposição”, resumiu. “Não me sinto devedor. Ele me apoiou, eu o apoiei, e devo ter contribuído para a eleição dele”, finalizou.
O ex-governador ainda ressaltou que não será candidato neste ano e elogiou as gestões de Camilo Santana e Roberto Cláudio. Ao final, Cid revelou uma veia artística e cantou músicas consagradas por Lupicínio Rodrigues e Márcio Greyck.

DN
Helvecio Martins

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