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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Gol contra: Jardel se cala em depoimento para corregedoria da Assembleia


Advogado de parlamentar tentou adiar depoimento, o que não foi aceito. Político não deve responder as perguntas de outros deputados estaduais.


O deputado estadual Mário Jardel (PSD) se apresentou na tarde desta segunda-feira (7) à Corregedoria da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (AL-RS), em Porto Alegre, mas optou por permanecer em silêncio O advogado do político, Amadeu Weinmann, chegou a encaminhar um pedido para tentar adiar o depoimento. Ele justificou que era preciso conhecer as acusações e ter acesso a denúncia do Ministério Público. 
Entretanto, a solicitação foi negada pelo Corregedor-geral da casa, Marlon Santos. Por isso, o parlamentar foi notificado e precisou comparecer na sessão. Antes do depoimento, o advogado de Jardel já havia adiantado para um integrante da comissão de que o político não responderia as perguntas. E assim Jardel se manteve durante o depoimento e na saída do casa legislativa.
O corregedor da AL-RS, Marlon Santos, vai solicitar para a Comissão de Ética a prorrogação do prazo de conclusão do inquérito, presidido por ele, por mais cinco sessões. Com isso, o procedimento deverá ser finalizado no dia 22 de dezembro deste ano. O prazo normal para a conclusão é até terça-feira (8). Santos descartou a possibilidade de arquivamento. "No momento, pelo que se tem, é quebra de decorro parlamentar", observou.
O ex-jogador de futebol e ídolo do Grêmio é suspeito de desviar verbas da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, exigir parte dos salários de funcionários fantasmas e até de envolvimento com traficantes. O parlamentar está sendo investigado pelo Ministério Público e, na última segunda-feira (30), policiais cumpriram mandados de busca e apreensão no gabinete do político e em sua casa durante a Operação Gol Contra.Áudios e vídeos mostram repasse de dinheiroEm gravações de vídeos e áudios analisados pelo Ministério Público, o deputado aparece falando sobre dinheiro que seria oriundo de desvios da Assembleia Legislativa e também de parte dos salários que o ex-jogador exigia de funcionários, conforme aponta a investigação.
Jardel: Esse dinheiro aí é do [nome preservado], entrega pro [nome preservado] esse dinheiro aí.
Assessor 1 [delator]: Tá. Tranquilo.
Jardel: É das camisa, pra ele… [pra ele] pagar. Entendeu?
Assessor 1 [delator]: Ah, entendi. Entendi. Tá bom.
Jardel: É os três mil da camisa, né?
Assessor 1 [delator]: É.
Jardel: Entrega pra ele, que ele foi… ele saiu ali com… com o [nome preservado].
Assessor 1 [delator]: Eu fui dar o dinheiro pra ele, ele mandou eu dar pra ti.
Assessor 2 [Roger, que recebe o dinheiro]: Não, [ele mandou dar] pro [funcionário], que é pra dar pra ele.
Assessor 2 [Roger, que recebe o dinheiro]: Ele mandou o [funcionário] pegar de todos nós. Então tu dá pra mim, eu dou pra ele.
Assessor 1 [delator]: Então tá.
Assessor 1 [delator]: Oito, nove, dez, onze, doze… quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte, vinte e um… três, quatro, vinte e cinco.
Jardel: Amanhã é dia dez, né, [assessor]? Esqueceu de... de fazer o negócio da minha mãe, [do] apartamento, e eu quero o negócio amanhã, o negócio do... o negócio do... da...
Assessor 3 [Ricardo]: Não, eu não, Jardel!
Jardel: [fala sobreposta] o dinheiro pro... O que é que vocês fazem, cara? Eu dou o dinheiro, dou a nota pra vocês pagarem, vocês esquecem de pagar as coisas?
Assessor 3 [Ricardo]: Não, eu vou... vou fazer o seguinte, ó: eu vou ver amanhã.
Jardel: [...] minha mãe, não, né, cara! O cara ligando pra minha mãe, minha mãe já é doente...
Assessor 3 [Ricardo]: Eu vou dar um cheque pré-datado até eu fazer essas diária aí e entrar as diária pra mim. Mesmo que eu pague o juro, aí o dinheiro fica pra mim.
Assessor 2 [Roger]: Tá. Eu vou chegar ali em cima e já te ligo.

Para disfarçar, Jardel usa um código. Ele diz que o valor é para o pagamento de camisas. Abaixo, confira a transcrição:Em uma das gravações, o delator tenta entregar a Jardel R$ 3 mil, que corresponde à metade de seu salário. Mas o deputado, que recebe os servidores em seu gabinete, diz que o repasse teria de ser feito a outro assessor, encarregado de recolher o dinheiro.
Mais tarde, o delator encontra o colega que receberia o dinheiro, com outro funcionário do gabinete, e faz a entrega.
De acordo com a investigação, o dinheiro extorquido dos assessores bancava despesas pessoais de Jardel e servia até para pagar o aluguel do apartamento onde mora um irmão e a mãe dele.
Uma das escutas telefônicas autorizada pela Justiça mostra que Jardel liga para um de seus assessores e diz que o pagamento do aluguel não foi realizado.
Assessor 3 [Ricardo]: Tem o número dessa p$*&% dessa imobiliária?Quando Jardel fala que entregou notas para o assessor, seriam notas frias de hotel para receber diárias por viagens não realizadas. Em outra ligação, um dos assessores ligou para o colega e pediu o número da imobiliária para avisar que faria o pagamento com dinheiro das diárias.
Segundo a investigação, até a fatura do cartão de crédito da mulher de Jardel era paga com dinheiro desviado do gabinete.
Além disso, a investigação também descobriu a ligação de Jardel com um traficante de drogas. E a compra das drogas também seria feita com dinheiro desviado.
O relatório do Ministério Público diz ainda que a droga entregue pelo traficante era consumida por Jardel durante programas com uma prostituta, também contratada como funcionária fantasma do gabinete.
G1

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