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domingo, 29 de novembro de 2015

Acusados fugiram para Bahia: Empresa aplica golpe de R$ 1 mi





A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) investiga um casal por supostamente aplicar golpes contra médicos e odontólogos na Capital. Conforme a Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), o prejuízo aos profissionais de saúde que teriam sido vítimas do esquema é estimado em aproximadamente R$ 1 milhão. A dupla suspeita, conforme a Polícia, está foragida.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o casal, que é proprietário de uma loja que se apresentava como representante comercial na Capital de uma fábrica de material médico de São Paulo, vendeu equipamentos para consultórios e desapareceu, sem entregar os produtos, levando o dinheiro das vítimas e deixando para trás o rombo financeiro para os clientes.

A empresa, registrada como Alvim Silva Comércio de Produtos Odonto Médicos LTDA, de nome de fantasia 'Fortal Doctor', funcionava na Avenida Antônio Sales, bairro Joaquim Távora, em Fortaleza, desde o ano de 2013. Conforme a Polícia, desde o mês de julho deste ano, teve início o que seria o planejamento do suposto golpe com o início do aparecimento de vítimas.

Os sócios proprietários da empresa, identificados como sendo Adalberto Ferreira da Silva e Cristiane Alvim de Figueiredo, são naturais da Bahia. Segundo as investigações, eles teriam retornado para o Estado onde nasceram levando o dinheiro dos clientes sem dar nenhuma explicação a eles sobre a entrega dos produtos. O imóvel alugado onde funcionava a loja e o apartamento onde moravam Adalberto e Cristiane, foram abandonados por eles, segundo a Polícia.

O titular da DDF, delegado Jaime Paula Pessoa Linhares, que preside o inquérito, relatou que a partir do mês de julho, teve início uma série de problemas para os clientes da empresa 'Fortal Doctor'. Conforme os relatos, os pedidos de equipamentos médicos feitos à loja a partir daquele período não foram entregues, apesar de terem sido pagos à vista, de acordo com as vítimas.

"Em 7 de julho, um cliente celebrou contrato para a compra de equipamentos odontológicos junto à empresa. Foi pago com financiamento do Banco do Nordeste, de R$ 42 mil à vista, transferidos diretamente à conta da empresa. Transcorrido o prazo de entrega dos produtos, não houve justificativa para o atraso", explicou o delegado, relatando um dos muitos casos acompanhados pela Especializada.

Segundo o delegado, conforme o relato daquela vítima, ao procurar a empresa cearense no endereço, já no mês de outubro, o médico não conseguiu localizar ninguém que pudesse se responsabilizar pelo que havia ocorrido a ele.
"O cliente nos disse que retornou à loja e que o local estava fechado. Então, procurou a Polícia e denunciou que havia sido vítima de um golpe", afirmou.

Brindes

Um outro médico, que também se diz vítima do casal, alegou que realizou um financiamento de R$ 35 mil junto ao banco Santander e realizou uma compra à vista de equipamentos para o consultório na 'Fortal Doctor'. À Polícia, o profissional também informou que jamais recebeu o produto.
"O equipamento foi adquirido no mês de setembro e o cliente nos disse que apenas recebeu brindes da empresa. Foram feitas várias promessas de data da entrega do pedido, que jamais foram cumpridas. Quando o cliente resolveu voltar à loja pessoalmente, descobriu que a 'Fortal Doctor' já não funcionava mais naquele endereço e que o paradeiro do casal era desconhecido", relatou Jaime Paula.
Há outros tantos Boletins de Ocorrência (BOs) registrados tanto na Especializada como em outras delegacias da Capital, como no 4º DP (Pio XII), com relatos semelhantes de médicos que afirmam ter sido vítimas do casal proprietário da 'Fortal Doctor', que nem mesmo o delegado titular da DDF soube precisar quantas seriam as vítimas do golpe aplicado.
Conforme o presidente do inquérito, no entanto, com base nas denúncias que já foram recebidas apenas pela Especializada, o prejuízo causado às vítimas já seria próximo a R$ 1 milhão.
O valor deveria ser encaminhado a uma fábrica de equipamentos médicos, localizada em Ribeirão Preto, no Interior de São Paulo. A fábrica não negou ser representada pela 'Fortal Doctor' no Ceará. No entanto, a empresa paulista alegou que jamais recebeu qualquer pedido dentre os citados pelas vítimas durante o período. A Polícia acredita que o casal recebeu o dinheiro e simplesmente não realizou a encomenda dos produtos.
"Em contato com a fábrica, ela reconhece a 'Fortal Doctor' como representante mas, em uma carta comercial, alegou que não iria assumir os atos praticados pelo representante no Ceará, dizendo que a relação em questão se deu entre o comprador (médico) e a representante, sem participação da fábrica. O crédito do financiamento era feito na conta da empresa cearense, que tinha por obrigação repassar para a de São Paulo, mas não o fez. Existem várias vítimas e foi constatado que fecharam as portas sem prestar conta com elas nem entregar o material", disse o delegado.
Fuga
Conforme relatos da Polícia e de vizinhos tanto da loja como do apartamento, o casal fugiu do Ceará sem deixar qualquer explicação sobre o que havia acontecido com o dinheiro dos clientes.
A reportagem foi ao endereço da loja. No local, conforme vizinhos, desde o sumiço do casal, vários clientes aparecem e ficam atônitos ao receber a informação de que a loja fechou e simplesmente não mais abriu. Até mesmo um vendedor ambulante de lanches afirmou que não recebeu o pagamento pelos alimentos que forneceu ao casal. Os vizinhos descreveram Adalberto e Cristiane como pessoas sociáveis e amigáveis.
A Polícia esteve nos dois endereços. A equipe, comandada pelo inspetor Paulo Florentino, ainda deparou-se com os proprietários do imóvel utilizado para estabelecer o comércio retirando objetos deixados no local. "Quando cheguei no endereço da loja, na Avenida Antônio Sales, o carro da imobiliária estava tirando os móveis que foram deixados lá dentro", relatou o inspetor da Polícia Civil.
A equipe de investigadores então se dirigiu ao endereço onde o casal residia, um apartamento localizado na Rua da Paz, no bairro Meireles, em Fortaleza. O local também havia sido abandonado."Fomos ao apartamento deles e também não os encontramos. Conversei novamente com vizinhos e a informação dada por eles foi que o casal havia deixado a residência no último dia 18 de outubro, um domingo", afirmou Paulo Florentino.
Diante do desaparecimento dos dois sócios proprietários da 'Fortal Doctor', o delegado Jaime Paula Pessoa Linhares afirmou que irá pedir a prisão preventiva de Adalberto e Cristiane."Iremos pedir a prisão deles. A Polícia espera que outras vítimas procurem a Delegacia de Defraudações e Falsificações para denunciar a empresa e auxiliar nas investigações", disse o presidente do inquérito.


Helvecio Martins

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